Crítica: A Noite nos Persegue (2018) de Timo Tjahjanto

The Night Comes For Us (2018)
★★★★

Desde 2014 em produção, A Noite nos Persegue (The Night Comes for us) passou pelo inferno e voltou. O filme chegou a ser cancelado, iria virar uma graphic novel, por alguma razão o projeto ressuscitou. Geralmente, coisa boa não poderia ser, é comum produções conturbadas se tornarem produtos finais entregues de forma inacabada, com ausência de identidade e outros males, felizmente essa é uma das raras exceções.

Distribuído em alguns mercados pela PT. Merantau Films, empresa que tem como cofundador Gareth Evans, diretor de Operação Invasão e Merantau (daí o nome), logo, já se pode esperar sangue e tripas para todos os cantos. Some isso ao fato de que o diretor é Timo Tjahjanto (de Headshot — disponível na Netflix) e o resultado só pode ser avermelhado.

Lançado aqui no Brasil pela Netflix (de novo ela), “A Noite” prova que não existe limite para a violência nas produções da Indonésia, e de fato estamos falando de um filme sobre violência.

Na trama, Ito (Joe Taslim), é um mercenário que trabalha para a tríade. Durante uma chacina, no lugar de matar a última vítima restante de um vilarejo, uma criança que acabara de presenciar a morte dos pais, Ito resolve salva-la; claro que isso acarreta uma série de conflitos, afinal ele se voltou contra a tríade. Então ele embarca em confronto atrás de confronto, deixando membros decepados  para trás — são pernas, braços e cabeças rolando por 121 minutos —. É uma jornada sem volta, que nos leva até os confins da violência.

Há mais na trama, porém não vale adiantar aqui, e de fato não importa. “A Noite” é uma daquelas produções que não se implica com o roteiro, os clichês do gênero estão por lá, mas são as intermináveis acrobacias violentas de ação que importam para Timo e sua trupe. Diferente do clima de horror que marca as produções com seu irmão Kimo Stamboel, como Assassinos (2014) e Macabre (2009) — ambos são conhecidos como ‘The Mo Brothers’ — , Timo, agora sozinho, busca mais a ação e o thriller da franquia Operação Invasão, clara inspiração.

Por falar na franquia, outros astros foram reescalados além de Joe Taslim. São eles: Iko Uwais e Julie Estelle. Uwais e Taslim são mestres em artes marciais fora das telas, tendo já participado de inúmeros campeonatos grandes antes de se tornarem atores, o que chama mais a atenção nesse caso, é Julie Estelle: A atriz que teve seu primeiro contato com arte marciais em 2013, enquanto rodava Operação Invasão 2 (ela era a “mulher do martelo”), se sai muito bem nas coreografias, fluída, rápida, acompanha bem o ritmo da coreografia. Destaque também para Shareefa Daanish (de Macabre) e Hannah Al Rashid, irreconhecíveis, e que assim como Estelle, demonstram muita intimidade com as complexas cenas de ação. Cenas essas que não abusam de cortes rápidos ou da assombrosa câmera balançando (Shaky Cam). Todos ângulos são amplos e capturam bem toda a dimensão do cenário. Contam ainda com certos momentos inventivos, como a câmera pregada na nuca de Ito, enquanto ele distribui socos e facadas. É muito mais do que A Vilã (The Villainess, 2017) conseguiu ser.

Sempre é usado algum truque ao se adentrar em determinado local onde a carnificina irá tomar conta. Como algum personagem que observa os arredores, a câmera passeia pela locação, é para nos por a par da geografia local. Sem picaretagens, as lutas de armas brancas não escondem a brutalidade do instinto assassino que move todos personagens em tela. Com a exceção da mocinha salva no início do filme (e que criança traumatizada ela será!), todos os personagens que integram a narrativa são vilões, o clima frio e de distanciamento é intencional. De fato não temos com quem se identificar.

Diferente do recente 22 Milhas, a já citada execrável câmera balançando não é usada, o brilho das coreografias bens boladas são somadas à um trabalho de atores invejáveis. O resultado é um tapa na cara no trabalho de Peter Berg, que deveria se envergonhar de desperdiçar a presença de Uwais (em ascensão nos E.U.A.); Então é só apertar os cintos e contemplar a carnificina, e se no fim seu apetite por sangue ainda não estiver saciado é melhor procurar ajuda.

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