Crítica: As Senhoras de Salem (2013) de Rob Zombie

As_Senhoras_de_Salem

Os personagens da filmografia de Rob Zombie seguem vários estereótipos: São roqueiros e de aparência ‘rebelde’; boca suja; explosivos e não pensam muito. Se eles funcionam muito bem em “Rejeitados pelo Diabo”, seu melhor filme, em “As Senhoras de Salem” eles flertam com a mediocridade e abraçam de vez o absurdo, o ilógico (já ensaiado no remake de Halloween).

Heidi (Sheri Moon Zombie, que só é escalada para os filmes do diretor, vai ver por ser sua esposa), é uma locutora de rádio, que recebe em determinado dia, um vinil endereçado diretamente a ela, o remetente é assinado apenas como o grupo “The Lords”. Ao transmitir a música na rádio, Heidi, e outras mulheres espalhadas pela cidade de Salem que estavam antenadas, entram em um estado de transe.

O longa se propõe em acompanhar esse estado alterado de consciência através de imagens desconexas, amarradas ao sonho. A tal música do The Lords, resgata os sons do passado obscuro de Salem e expõe as várias mulheres à uma hipnose sensorial contínua, que as levam a seguir um passo a passo para concretizar um ritual em grande escala.

Zombie invoca as produções de horror dos anos 1960, não só constantemente paga homenagens, como também recria o terror opressivo que vai além dos sustos fáceis, e coloca ‘apenas’ o espectador a par do mal que rodeia as personagens, excluindo-as da ação em volta.

A montagem que por traz, sonho após sonho, imagens surreais, apocalípticas e que evidenciam em fragmentos os planos por detrás do ritual, são repetitivas e aparentam ser a saída ideal para estender a duração do filme. E é assim, pelo tempo que se estende, que As Senhoras de Salem se leva. Fragmento após fragmento, montagem após montagem, é pedante, demasiado abrangente, equivocado.

Rob Zombie deixa de fora dessa vez o sexo estranho das demais produções que carregam seu nome, mas não poderia faltar a nudez gratuita: Zombie tem um fetiche por filmar as silhuetas de sua esposa e coloca-las na tela — Gosta de evidenciar as curvas femininas em momentos inoportunos, fica feio, soa exagerado e deslocado, sem substância.

Os demais personagens que complementam a trama são constantemente descartados e/ou simplesmente esquecidos. Zombie parece tentar recriar o ritual das bruxas do cinema clássico com: música inaudível, quase um ruído; orações pagãs e bruxas de aparência velha e enrugada; cabras em volta do cenário abrasado. Funciona bem nos momentos mais surreais.

Os sonhos clarividentes que pintam o eminente ritual são compostos por uma montagem rápida, decupagem semelhante a de uma vídeo clipe, são repetitivos e evidenciam a falta de tato de Zombie como diretor.

Esteticamente, esse longo vídeo clipe de uma hora e quarenta minutos alcança raras passagens de belas imagens estáticas, mas que não se justificam por serem desconexas, mais uma vez, avulsas demais. O trailer já bastaria, pois é mais gratificante e ao menos justifica a montagem absurda.

 

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