Crítica: O Visitante do Museu (1989) de Konstantin Lopushansky

★★★★★

A Tristeza!

As luzes vermelhas que fundem as cores do inferno são as constantes que compõem a narrativa desse enigma de onírico. Um mundo ambíguo cheio de desespero e tragédia, dividido entre o antes e o depois. Os mutantes deformados são o temor que os longas do século XXI são incapazes de alcançar. O mundo de O visitante do Museu é um verdadeiro retrato do inferno!

Tudo é parte de um medo sensorial em um universo pós-apocalíptico realizado com um rigor estético enorme. Dos momentos iniciais a caminho do ‘museu’, até contemplarmos o fim da sanidade em meio ao caos, Konstantin Lopushansky não deixa a tensão se desfazer sequer por um segundo. Mesmo entre as cenas mais relaxadas, a iluminação avermelhada está lá, para nos lembrar constantemente que a desgraça paira sobre este mundo!

A câmera que passeia pelos cenários desolados, capturando rostos desfigurados entre os escombros são de causar arrepio, é o medo do que não é impossível, por mais absurdo que o contexto aparenta ser. Essas longas sequências fazem uma excursão pelos cenários cheios de ruídos e gritos de desespero, com a abstinência de uma trilha sonora habitual. As ondas iluminadas pela vermelhidão apocalíptica somada pelo fogo é uma imagem que ficará na memória daqueles que se permitirem adentrar nesse abismo! A longa caminhada através do vazio no final é agonizante! Os pássaros, a iluminação, os gritos, o desespero, a angústia…

 O “Inferno” de Nobuo Nakagawa (1960) é formado por sangue e fogo. Aqui, o inferno de Konstantin Lopushansky é feito de choros e sussurros em meio ao sofrimento eminente que ecoa no nosso próprio mundo!

O filme não fornece soluções dramatúrgicas convencionais. Depois dos primeiros trinta minutos, o museu já não importa mais, nosso único papel é contemplar a jornada rumo ao grande nada.

Não existe solução para este enigma ambíguo, que desastre poderia ter acontecido? O que exatamente está no museu? Não importa! — Respostas não são dadas para apaziguar nossos corações. É uma das razões pela qual faz desse um horror é genuíno! O horror sensorial, medo do que não é impossível (desastre nuclear) que entra no cérebro e nos faz idealizar coisas horríveis.